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26/02/15

"DC Comics - 80 Anos" (Parte 1): A Era de Ouro....

O "Submundo" Apresenta.... Mais uma super matéria especial produzida pelo Nano Falcão (colaborador do blog): No mês em que a DC Comics comemora 80 ANOS de sua 1º revista nas bancas (em Fevereiro de 1935)!!!

Serão 4 matérias especiais contando as origens e a trajetória da DC Comics ao longo das últimas 8 décadas. Nesta 1º Parte: "A Era de Ouro" (o surgimento dos primeiros super-heróis das HQs e das primeiras revistas da editora). Uma verdadeira viagem no tempo e um documento histórico dos quadrinhos!!!

Confira abaixo.... (E não percam - Em breve: "A Era de Prata", "Era de Bronze", e "Era Moderna"):

DC COMICS: 80 ANOS DA EDITORA QUE DEFINIU OS QUADRINHOS NORTE-AMERICANOS - PARTE UM:  A ERA DE OURO
Fevereiro de 1935. As bancas de jornais e revistas norte-americanas eram um lugar muito diferente de hoje em dia. Jornais eram a principal fonte de informação do mundo, e vendiam milhões de exemplares por dia. Mais do que notícia, traziam também entretenimento, com sessões de tiras de quadrinhos diárias e em cores aos domingos. Os maiores e mais populares autores e personagens de quadrinhos estavam nos jornais: Tarzan, Flash Gordon, Dick Tracy, Mandrake, O Fantasma, Terry & Os Piratas, Ferdinando, Brucutu, só para citar os mais famosos. Revistas em quadrinhos ainda eram uma novidade. Elas haviam sido criadas na verdade um ano antes, em 1934, por um vendedor chamado Max Gaines, que teve a idéia de dobrar uma folha de jornal tablóide ao meio. Assim nasceu a FAMOUS FUNNIES e foi um tremendo sucesso. O novo formato era ideal para republicar as tiras que saiam nos jornais. E inicialmente as revistas em quadrinhos se resumiram a isso, republicar o que saia nos jornais. O que mudou tudo isso foi justamente a primeira revista da editora que viria a se tornar a DC Comics: a New Fun Comics, publicada pela National Allied Publications, em fevereiro de 1935, seria a primeira publicação a trazer HISTÓRIAS EM QUADRINHOS INÉDITAS. O proprietário da nova editora, Malcolm Wheeler-Nicholson, não tinha nem grana para pagar os direitos autorais, nem como achar tiras que pudessem ser republicadas, pois os direitos de todas as populares já haviam sido comprados. Mas dezenas de jovens autores estavam ávidos em entrar no mercado, entre eles muitos rejeitados pelas empresas que produziam tiras de quadrinhos para jornais. E o melhor de tudo, cobravam barato, e trabalhavam “fiado”. 

Dois deles se chamavam Jerry Siegel e Joe Shuster, filhos de imigrantes pobres que viviam em Cleveland, Ohio. Em 1933 eles criaram um personagem chamado Superman. Por anos iriam oferecê-lo aos “sindicates” (as empresas que distribuem as tiras de quadrinhos para jornais), que ririam do conceito da criação, que era fantástica demais no ver de alguns. Não havia como classificar direito as aventuras do personagem: eram ficção científica, histórias policiais, ou de aventura? Na verdade ninguém sabia, pois estavam diante de um novo gênero: as histórias de super-heróis. Mas não foi com o Superman que Sigel e Shuster estrearam na DC, em 1935. Foi com outro personagem, o hoje praticamente esquecido DOUTOR OCULTO. Não seria o único trabalho. Logo, para a segunda revista da National Allied Publications, lançada no final de 35, a “New Comics”, criariam as séries “Federal Men” e “Radio Squad”. Por causa da “New” Comics, a New Fun Comics mudou de nome para “MORE FUN COMICS”, já que não era mais a nova revista do pedaço. A New Comics também era “nova” no conceito de que trazia material 100% inédito, e era a primeira revista da DC a adotar o formato da Famous Funnies (o famoso “formato americano”). Inicialmente a New Fun era publicada no formato tablóide, em 36 páginas, a maioria em preto e branco. A New Comics estreava com metade do tamanho, mas o dobro de páginas, 84, e a maioria das páginas em cores, formato que também seria adotado pela More Fun Comics já no seu número 09. A New Comics por sua vez mudaria de nome um ano depois para “New Adventures Comics”, e finalmente, no final dos anos 30, para “ADVENTURES COMICS”. E assim os leitores mais “escolados” vêem aí a gênese de duas das mais clássicas publicações da editora. Uma outra novidade que a DC introduziria no mercado seria a primeira revista em quadrinhos TEMÁTICA . Todas as revistas, sejam as de material inédito da National Allied, fossem as de republicações de tiras das concorrentes, eram uma miscelânea, que traziam hqs de humor, aventura, crime, mistério, ficção científica, fantasia, etc. 

A DETECTIVE COMICS, lançada em março de 1937, mudaria tudo isso. Fazendo concorrência direta com as populares revistas de literatura barata na época (as pulp magazines), o seu gênero eram histórias policiais. A principal atração da revista era uma série justamente criada e produzida pela dupla Jerry Siegel e Joe Shuster que já gozava de bastante confiança do editor Vin Sullivan, que Wheller-Nicholson contratara para editar suas primeiras revistas. SLAM BRADLEY, um detetive durão e briguento, seria o principal carro-chefe da Detective Comics até o número 27 (mas essa é outra história). No entanto não era a única hq da dupla no gibi, que como todos os demais da época tinha 68 páginas e muitas histórias. SPY, sobre um agente secreto, também era assinada por Siegel e Shuster. Para lançar a Detective Comics, Wheller-Nicholson teve que fazer um acordo com a gráfica e distribuidora pela qual imprimia e distribuía seus gibis para as bancas. O proprietário da empresa se chamava Harry Donenfeld, e ele editava pulps magazines de literatura “picante”, mas já estava começando a ter problemas com as autoridades devido ao material quase pornográfico. Dizem as más línguas que Donenfeld havia aberto a editora na época da lei seca para lavar o dinheiro sujo adquirido nas suas atividades ilícitas, e ela acabara se tornando um negócio legítimo, depois do fim da proibição da bebida, em 1931. Seja como for, foi a única gráfica e distribuidora que aceitava rodar para pagamento “a prazo”, isto é, “fiado”, e o Major Malcolm Wheller-Nicholson já devia um monte de dinheiro para eles quando, no final de 1936, propôs a nova revista, a qual tinha grandes esperanças que vendesse o bastante para lhe tirar das dívidas. Donenfeld, de olho no mercado ascendente dos gibis, topou rodar a nova revista com uma condição: eles abririam uma editora como sócios, a Detective Comics Inc, que doravante publicariam as revistas. Wheller viu nisso uma forma de escapar das dívidas, e topou. E assim, a editora ganhou a sigla pela qual ficaria conhecida, DC. 

ACTION COMICS 01: SURGE O SUPERMAN
Em três anos de atividade, a National Allied Publications, e agora a Detective Comics Inc, haviam não só lançado a primeira revista em quadrinhos com material 100% inédito, como também a primeira revista temática. Mas a maior revolução estava por vir, em maio de 1938. Se uma revista temática vendia bem, o negócio era lançar outra. E assim o editor Vin Sullivan e o Major Malcolm começaram a planejar a ACTION COMICS, que como o nome diz, traria histórias de ação. Para carro-chefe da publicação recorreram novamente a dupla Siegel e Shuster, e estes decidiram apresentar o Superman, que há anos tentavam vender para os sindicates distribuidores de tiras sem sucesso. Sullivan comprou os direitos de publicação por 130 dólares, realizando assim para a DC o maior negócio já feito das histórias em quadrinhos. Os autores aceitaram porque naquela altura do campeonato, após cinco anos de rejeição, seu personagem mais inovador parecia destinado ao fracasso. Revistas em quadrinhos eram um meio até então bem menor se comparado aos jornais, que pagavam muito melhor aos artistas. E não a toa os melhores estavam lá, ficando os gibis nas mãos de autores não tão bons. Ninguém levava revistas em quadrinhos a sério. Com exceção das crianças. Por 10 cents, uma criança na época levaria pra casa 68 páginas coloridas de entretenimento, lembrando que as tiras dos jornais eram em preto e branco nos dias da semana. Não havia televisão, e a indústria cinematográfica da época era bem menor do que a de hoje em dia, não haviam tantos filmes sendo produzidos. Então além dos programas de rádio, onde existiam muitas novelas de aventura, havia uma lacuna no entretenimento da garotada que os quadrinhos iriam preencher perfeitamente. Só era preciso que as revistas oferecessem algo a mais que os jornais não ofereciam. E esse algo foi o Superman, e o próprio gênero das histórias de super-heróis. 

Superman era diferente de qualquer coisa publicada até então. Era um bem-feitor com “super-poderes”. Tinha uma identidade secreta. Um uniforme colorido. E uma história de origem fantástica. O novo gênero permitia que o mesmo personagem pudesse viver histórias policiais, de ficção científica, de aventura, de suspense, e até com pitadas de romance e humor. Lois Lane aparece já na primeira história, para esnobar Clark Kent, o alter-ego do herói, que se disfarçava como um homem tímido, covarde e patético para ninguém desconfiar de seu grande segredo. Clark Kent era a persona do próprio escritor Jerry Siegel, um nerd sem jeito com garotas, mas que queria dizer ao mundo que por trás de sua aparência, ele poderia ser o “Super-Homem” para qualquer mulher. A metáfora encontrou eco em cada jovem tímido dos Estados Unidos. Tarzan, Flash Gordon, Fantasma, Mandrake, nenhum deles jamais teve problemas com garotas. O que eles sabiam? Mas Clark Kent era muito mais próximo do homem comum, apesar de ser um alienígena com super-poderes impossíveis, do que os heróis das tiras jamais foram. Demorou pros editores da Action Comics descobrirem o que tinham em mãos. Cada número vendia mais que o anterior, porém com exceção da primeira edição com a mitológica capa de Superman erguendo um carro, os próximos cinco números não traziam o herói na capa. A revista não tinha sessão de cartas, não havia estímulo de contato com os leitores. Foi ao ver uma fila de crianças numa banca que o empresário Harry Donenfeld resolveu conversar com eles pra ver porque compravam seu gibi. A resposta era óbvia. Do número 07 em diante, Superman seria a principal estrela das capas, catapultando ainda mais as vendas. Superman iria deixar Donenfeld rico, muito rico. Já seus criadores, inocentemente, estavam contentes com o contrato de dez anos, e o pagamento de 200 dólares por semana. Para um autor de uma mídia considerada lixo cultural e destinada para crianças, como um brinquedo descartável, ganhar “tanto” para fazer gibis parecia uma fábula. 

Já o Major Malcolm Wheeler-Nicholson não chegou a aproveitar os louros da semente que plantara. Apesar de sócio de Donenfeld na Detective Comics Inc, a National Allied Publications, sua primeira editora, devia muito dinheiro para o empresário. Os lucros da Detective Comics não eram tão bons assim, e ainda tinham que ser divididos ao meio. Um dia, Donenfeld ofereceu para o Major e sua esposa um cruzeiro para Cuba, então destino de férias dos norte-americanos, para descansar e buscar novas idéias. Foi um verdadeiro presente de grego. Quando Wheller voltou, haviam trocado seu nome na porta e até a chave do escritório. Donenfeld entrou com um mandado de segurança na justiça, e conseguiu arrancar para si a posse da National Allied Publications em prol do pagamento das dívidas. Como um “cala-boca” ao Major, comprou ainda sua metade na Detective Comics Inc, o que Wheller acabou achando bom negócio porque toda aquela história de gibis não tinham dado o retorno que ele esperava até então. A Action Comics ainda não tinha ido para as bancas, e nem mesmo Donenfeld nos seus sonhos mais loucos poderia prever o que estava para acontecer. Assim acabou a participação do fundador da DC no mundo dos quadrinhos, para sumir nas brumas da História. 

A ERA DE OURO DOS SUPER-HERÓIS
Se um Superman vende, outro Superman poderia vender tanto quanto, certo? O sucesso da Action Comics desencadeou a corrida das outras editoras por histórias semelhantes. Doravante, a indústria das histórias em quadrinho seria dominada pelas aventuras de sujeitos combatendo o crime em fantasias espalhafatosas. Vin Sullivan, editor da Detective Comics e Action Comics, começou a procurar apresentações equivalentes, e estimular seus contratados a criar coisas do gênero. Quem mais se aproximou daquilo que procurava foi um jovem cartunista chamado Bob Kane, com um esboço de um herói chamado “The Bat-Man”, com roupa vermelha e poder de voar. Sullivan mandou Kane voltar pra casa e retrabalhar o conceito. Então o cartunista chamou seu amigo Bill Finger, que aspirava escrever histórias em quadrinhos, e este fez uma série de sugestões que acabariam dando origem ao Batman que conhecemos. O herói estreou com direito a capa e tudo na Detective Comics 27, de maio de 1939. Ao contrário do Superman, ele não tinha poderes, e era um combatente do crime mais na linha dos heróis da pulp fiction, como o Sombra e o Aranha, com a diferença que ele geralmente não matava (mas matava as vezes!), e preferia usar os punhos do que armas (embora portasse uma!). O que fazia dele “super” é que não bastava ele ser o maior lutador que já existiu, como também ser um detetive infalível, e possuir vários dispositivos fantásticos. E sua fantasia espalhafatosa de morcego, claro. Ao contrário do tímido Clark Kent, seu alter-ego era um playboy milionário que tinha inclusive uma noiva na figura de Julie Mandison. Esta, no entanto, se tornaria somente a primeira no rol de namoradas passageiras de Bruce Wayne. Porém o tom sombrio das primeiras histórias acabou sendo amenizado um ano depois com a estréia de Robin nas bat-aventuras. Robin foi o primeiro “parceiro-mirim”, ou sidekick, como chamam os americanos. A conclusão dos editores era que muitos garotos gostavam de fantasiar que viviam aventuras com seus heróis, então porque não colocar um personagem da idade deles combatendo o crime? Robin era a persona do leitor da época, vivendo as aventuras que qualquer leitor de quadrinhos gostaria de viver. 

Foi um grande sucesso, e doravante muitos personagens também ganhariam seu “sidekick”, buscando repetir a fórmula. Com os super-heróis esquentando as vendas e transformando as revistas em quadrinhos num negócio extremamente rentável, outros editores buscaram o sucesso. Um deles, Max Gaines, o mesmo criador do “formato gibi”, deixou a Famous Funnies, para fundar sua própria editora. Como o Major Malcolm, descobriu que a única distribuidora e gráfica onde poderia trabalhar sem pagar a vista era a de Harry Donenfeld. Ao ouvir o projeto de Max, Donenfeld concordou em rodar as revistas com uma condição: que ele se tornasse sócio do seu amigo e contador Jack Liebowitz. Nascia assim a All-Americana Publications. A primeira publicação deles, ainda em 1939, foi a “All-American Comics”. No entanto apesar da revista vender pra se manter, não era um sucesso como as outras da DC, afinal faltava ali um super-herói. De olho nesta tendência, Max lançou no começo de 1940 a primeira revista dedicada TOTALMENTE a super-heróis, a FLASH COMICS. Embora os carros-chefes da Action Comics, Detective Comics e Adventure Comics fossem super-heróis, o restante das histórias eram de outros gêneros, com outro tipo de personagem. A Flash Comics não, ela seria exclusivamente com histórias do gênero. O carro-chefe era o personagem título, o Flash. Jay Garrick teve um acidente no laboratório inalando gases de “água pesada”, se tornando assim o homem mais rápido do mundo. Ao contrário do sofredor Superman, Jay logo na primeira história conta para sua namorada Joan sobre seus poderes e sua identidade, e esta vira sua ajudante dali em diante. Da mesma forma o Gavião Negro (Hawkman), outra atração da revista, revelaria sua identidade a namorada, que inclusive se tornaria uma heroína, a Hawkgirl (Mulher-Gavião). Ambas as criações tinham roteiro de um autor que se tornaria provavelmente o escritor mais importante da história da DC: Gardner Fox. Outras atrações da Flash Comics eram Johnny Trovoada, Ghost Patrol (que a Ebal chamou de Trinca Fantasma), O Chicote, The King (chamado no Brasil de Rei Quimera), e Canário Negro (que inicialmente seria uma coadjuvante nas histórias de Johnny Trovoada até estrelar aventuras próprias).  

Fox também seria o co-criador do Sandman original para Adventure Comics, e o Senhor Destino (Doctor Fate), para a More Fun Comics. A revista passou a ser uma publicação com histórias de super-herói já em março de 1940, quando Jerry Siegel apresentou outra das suas crias: O ESPECTRO, o fantasma de um policial morto que executava criminosos de formas bem macabras. As revistas em quadrinhos dos anos 40 são uma estranha mistura de histórias ao mesmo tempo inocentes e sensacionalistas, sem qualquer censura, que permitiam todo tipo de coisa violenta e assustadora nos roteiros. O Espectro era um bom exemplo disso. A More Fun Comics também seria o berço de outros super-heróis famosos que lá nasceriam, como Arqueiro Verde, Aquaman e Superboy. A Flash Comics foi um grande sucesso, e assim Max Gaines buscou um super-herói para que sua primeira revista, a All-American Comics, não fosse cancelada. E assim nasceu o primeiro Lanterna Verde: o engenheiro Alan Scott, que no oriente encontra uma lanterna “mágica”, da qual extrai um fragmento e faz para si um anel por onde canaliza a energia da lanterna. O desenhista e criador do personagem, Martin Nodell diz que a lâmpada mágica de Aladim foi sua inspiração. Não por acaso o nome completo do herói é Alan Ladd Wellington Scott. Em breve se juntariam ao primeiro lanterna na All-American Comics heróis como Sargon, Átomo (o primeiro super-herói adolescente com problemas de bullying na escola, precedendo Peter Parker em 20 anos!) e Doutor Meia-Noite, o primeiro super-herói cego dos quadrinhos, precedendo o Demolidor também em uns bons 20 anos!1940 e 1941 foram os anos da explosão de super-heróis nas bancas americanas. Nunca se vendeu tanto gibi. As tiragens eram na casa de MILHÕES de exemplares. Por isso chamam o período de “era de ouro”. Tentando atender a demanda, a DC lançaria revistas próprias para Superman e Batman, além de uma antologia chamada “All-Star Comics”, também com mais histórias dos seus super-heróis mais populares. O projeto no entanto mudou na terceira edição, quando o editor Sheldon Meyer e o escritor Gardner Fox resolveram juntar os heróis que apareciam na revista (Flash, Lanterna Verde, Sandman, O Espectro, Homem-Hora, Átomo, Senhor Destino e Gavião Negro) numa equipe, a Sociedade da Justiça da América, uma espécie de “clube dos heróis”, onde os membros se juntavam ao redor de uma mesa para contar suas aventuras. Logo isso evoluiria para eles vivendo histórias em conjunto. 

A Sociedade da Justiça foi assim a PRIMEIRA super-equipe de heróis dos quadrinhos, criando um conceito que é bastante explorado até os dias de hoje. Um detalhe interessante é que só poderiam fazer parte da Sociedade quem não tivesse revista própria, e assim Superman e Batman estavam fora da formação original. Logo, quando Flash e Lanterna Verde também ganhassem suas revistas solo, eles sairiam da equipe e seriam substituídos por Starman e Doutor Meia-Noite. A DC não criou a primeira super-heroína, mas criou sem dúvida a mais popular e mais importante: A Mulher-Maravilha apareceu no final de 1941, justamente numa história “back-up” do número 08 de All-Star Comics, como uma espécie de preview para sua grande estréia de fato, onde ela seria carro-chefe da mais nova revista da DC, a Sensation Comics. Lançada em março de 1942, além da Mulher-Maravilha, a Sensation Comics traria histórias de dois futuros membros da sociedade da justiça, O Pantera e o Sr. Incrível. Assim como Batman e Superman, o sucesso da Mulher-maravilha também lhe daria revista própria, tornando ela assim a primeira heroína a ter seu próprio título nos anos 40. A personagem era fruto das teorias feministas do psicólogo William Moulton-Marston, que buscou na mitologia grega a inspiração para construir sua super-heroína feminista. Um Superman de saias, com direito a identidade secreta de óculos e interesse romântico mais interessado na heroína do que no seu alter-ego, a personagem caiu no gosto dos leitores, e também de muitas leitoras, diversificando um pouco o mercado de gibis que sempre foi bastante machista. A Mulher-Maravilha também era uma das mais simbólicas representantes do fenômeno que iria varrer os quadrinhos de 1942, que eram os heróis patrióticos. A partir do momento em que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial em 07 de dezembro de 1941, a indústria cultural também se engajou no conflito, com histórias que exploravam temas vinculados a guerra. Praticamente todos os super-heróis do período se “alistaram”, e muitos foram criados especificamente para este fim. Assim nasceu mais uma revista da DC, a Star-Spangled Comics, que já no título fazia alusão a bandeira americana. Com esse tema, foi encomendado justo a Jerry Siegel desenvolver o carro chefe da publicação, que seria a série Star-Spangled Kid & Stripesy (algo como “Estrelas e Listras”). Eles eram dois heróis patrióticos como tantos outros que combatiam os “quinta-colunas” (simpatizantes e espiões nazistas infiltrados nos Estados Unidos). A novidade estava na inversão da figura do sikekick: O adolescente milionário Sylvester Pemberton é um jovem patriota que não pode servir no exército como queria. Então ele resolve combater os nazistas que existem dentro dos EUA, usando sua fortuna e treinamento atlético, para desespero do seu motorista e guarda-costas brutamontes, Pat Dugan. Assim Dugan a contragosto vira o sidekick do jovem herói, adotando a alcunha de “Stripesy”, usando uma camisa listrada para formar o tema da bandeira com o uniforme cheio de estrelas do Star-Spangled-Kid. Outras atrações da revista inicialmente eram “Robot-Man” (Homem-Robô), outra criação de Jerry Siegel, sobre um homem que tem o cérebro transplantado para um corpo eletrônico após perder este num acidente (ou seja, o personagem da Patrulha do Destino é uma reformulação deste); Tarântula, um escritor de histórias policiais que se torna um vigilante, com direito a uma arma que dispara teias (pois é!); Capitão X, um oficial do exército com fantasia e máscara a rigor; Armstrong of Army, outra série que se passa na Europa em conflito; e Liberty Belle, a heroína que ganhava seus poderes toda vez que era tocado o famoso “sino da liberdade” da Filadélfia. 

No entanto, só patriotismo não bastava pra vender gibi, e a concorrência na época era brava. O campeão de vendas sobre o tema era o gibi mais vendido de uma certa editora chamada Timely Publications, chamado CAPTAIN AMERICA, herói criado pela dupla Joe Simon e Jack Kirby que gozava de popularidade não só entre as crianças, mas até entre os soldados. A DC então espertamente ofereceu um contrato mais vantajoso para que a dupla trocasse de editora, sendo esta a primeira “transferência de peso” de criadores de uma empresa para outra, iniciando uma rivalidade que continua até os dias de hoje. Assim, após dez edições de Captain America, Joe Simon e Jack Kirby foram para a DC, e uma das primeiras tarefas foi criar uma série para ajudar nas vendas da Star-Spangled Comics. Assim apareceu a “The Newsboy Legion and The Guardian” (Algo como “A Legião de entregadores de jornais”, que no Brasil foi batizada de “Legião Jovem”), outra curiosa inversão do tema do sidekick. Além de Bucky, o Capitão América tinha as vezes a companhia de um bando de moleques chamados de “Os Sentinelas da Liberdade”. Simon & Kirby reaproveitaram o conceito, dando a eles o papel de destaque, sendo que o herói, o Guardião, não passava de uma babá que tinha que invariavelmente tirar os garotos dos apuros que se metiam quando decidiam investigar por conta própria criminosos e espiões nazistas. Jim Harper era um policial que após prender um grande chefe do crime, quase foi morto em retaliação pelos criminosos. Passou então a preferir o anonimato, adotando a fantasia e a identidade de Guardião, para que pudesse atacar criminosos, sem que ele ou seus conhecidos sofressem retaliação por causa disso. Como havia sido ajudado pelos quatro garotos órfãos que vendiam jornais para sobreviver, acabou “adotando” os garotos ficando de olho neles. Não foi o maior sucesso da época, mas a série durou alguns bons anos, ajudando a manter a Star-Spangled Comics nas bancas. De qualquer forma era curioso ver essa nova versão do Capitão América, já que Jim carregava até um escudo amarelo, além da roupa azul e usar movimentos de luta muito parecidos com o herói no qual foi inspirado. Ironicamente, anos mais tarde, o próprio Steve Rogers chegou a ser policial por uns tempos nos anos 60. Legião Jovem e o Guardião esteve longe de ser a única criação de Kirby & Simon nos seus primeiros tempos na DC. Eles também foram instados a criar uma série para ajudar a vender a Advenuture Comics, onde já eram publicadas as histórias de Sandman e Homem-Hora. 

E assim apareceu “Manhunter” (No Brasil, O Caçador), no qual um caçador das selvas chamado Paul Kirk decide caçar criminosos nas grandes cidades. Sandman por sinal chegara a 1942 como um herói antiquado, um derivado das pulp magazines usando chapéu fedora e sobretudo, com uma máscara de gás como principal disfarce (e a função primária de protege-lo do próprio gás sonífero que lançava, obviamente). Simon & Kirby reformularam o herói, lhe dando um traje superheróico amarelo e purpura, e até um sidekick, Sandy, o garoto de ouro.Mas a criação de mais sucesso da dupla naquele período foi mesmo um gibi pouco conhecido aqui no Brasil: BOY COMMANDOS. A série estreou na Detective Comics, mas logo ganhou revista própria (coisa que heróis do período como Gavião Negro, Starman, Espectro, Sandman, etc, nunca ganharam). Acontecia a grande guerra e o sonho de muitos garotos era realmente lutar na Europa. Agora imagine uma série onde isso acontecesse. Quatro pré-adolescentes, de diferentes nacionalidades, órfãos de guerra, estão na Europa e não aceitam se resumir a mascotes do quartel. Lembrando que muitos meninos de fato mentiam sobre a idade pra poder se alistar, Boy Commandos era um apelo que surtia efeito. Em 1945, o gibi chegou a vender tanto quanto Superman. No entanto, justamente depois disso, quando a guerra acabou, as vendas foram baixando, até a revista ser cancelada, anos depois. 

Até+

PS: O "Submundo" agradece ao Nano Falcão por mais esta super-colaboração especial.... E aproveitando, quero avisar aos leitores do blog: O "Guia de Leitura dos Vingadores" teve seu texto totalmente revisado com a inclusão das histórias originais de cada saga ou arco comentado na postagem. Vale a pena uma conferida de novo neste: "LINK"!!! 

22/02/15

Plantão HQ: "Monstro do Pântano 4", "Star Wars - Ep. 2", "Aquaman", Homem-Coisa", e Mais....

"Plantão HQ" na área.... Com novos encadernados da Vertigo, A 2º adaptação de filmes de "Star Wars" pela Panini, "Tex" mandando chumbo em dose dupla, A 1º imagem do "Aquaman" no cinema, "Miniatura Especial" da Marvel (Homem-Coisa) à venda, e outras novidades:

"Monstro do Pântano 4" (Alan Moore), "Os Invisíveis 4 - Infernos Unidos da América", "Hellblazer - O Passeio", "Star Wars - Episódio II: O Ataque dos Clones", "Dark Horse Apresenta 3", "Universo DC 31", "Tex Gigante em Cores 4 - Chumbo Ardente", "Almanaque Tex 47 - Na Trilha da Vingança", "Aquaman" (FILME), e "Homem-Coisa" (Miniatura Especial)!!!

Confira abaixo:

19/02/15

"Demolidor - Fim dos Dias" (Prévia): A Última Queda de Murdock....

"Demolidor - Fim dos Dias" (Vol.1).... Mostra exatamente aquilo que o título e a capa sugerem: A MORTE do "Demolidor". É o fim da linha pro "Homem Sem Medo", mas para o leitor é apenas o começo de uma recapitulação da vida do herói!!!

Após o assassinato do "Demolidor", o repórter Ben Urich inicia uma incansável investigação pra desvendar todos os mistérios em torno do crime e reencontra antigas mulheres e inimigos de Matt Murdock em busca de respostas!!!

Confira abaixo mais uma PRÉVIA especial do "Submundo":

16/02/15

Cinema em Casa: "Mar Negro", "Machete 2", "Rota de Fuga", "Ajuste de Contas", "Trapaça", e Mais...

Pra quem não tá curtindo muito a programação da TV nesta época de Carnaval e Big Brother.... A volta da coluna: "Cinema em Casa" aqui no "Submundo" pode ser um quebra-galho (ou não, rs). Entre as dicas e sugestões de FILMES que eu recomendaria uma conferida no conforto do lar (em DVD, Blu-Ray", ou Torrents) estão:

"Mar Negro" (terrorzão brasileiro da pesada), "Machete Mata" (no espaço sideral), "Rota de Fuga" (Stallone X Schwarzenegger), "Ajuste de Contas" (Stallone X De Niro), "Trapaça", "Segurando as Pontas", "O Homem Com Punhos de Ferro", "Os Escolhidos", e "Walt Nos Bastidores de Mary Poppins"!!!

Confira abaixo:

"Splash Heroes": As Super-Heroínas Marvel & DC em Uniformes Líquidos....

Aproveitando o ritmo de carnaval (com mulheres bonitas e fantasiadas desfilando na mídia).... Resolvi compartilhar aqui no blog essas belas imagens (pra quem ainda não viu):

É um trabalho artístico do fotógrafo Jaroslav Wieczorkiewicz (nomezinho difícil, rs).... pra um calendário 2015 com super-heroínas usando uniformes líquidos (!)

Confira abaixo:

11/02/15

"Justiceiro MAX 2" (PRÉVIA): O "Mercenário" Testará o Estômago do Leitor....

Finalmente.... Após 1 ANO desde o lançamento (no Brasil) do 1º arco da série, o "Justiceiro MAX" (de Jason Aaron) ganha seu 2º Vol. intitulado: "Mercenário"!!!

Depois de enfrentar o "Rei do Crime" na edição anterior, agora o "Justiceiro" encara o maior assassino do mundo: Um "Mercenário" que nunca erra o alvo. Mas será que o leitor terá ESTÔMAGO pra "engolir" (!) os golpes baixos desse matador profissional que usa o próprio vômito como arma? (sim, desculpem os trocadilhos estomacais, rs)!!!

Confira abaixo esta PRÉVIA (e entenda melhor todo esse papo "gástrico"):

06/02/15

Guia de Leitura dos "Vingadores": Da "Queda" Até o "Cerco"....

O "Submundo" apresenta.... Mais uma matéria Super-Especial produzida por um colaborador do blog: Um "Guia de Leitura" completo dos "Vingadores" assinado por... Nano Falcão!!!

Este "guia" cobrirá os principais eventos e sagas dos "Vingadores" e suas repercussões nos demais títulos da Marvel desde: "Vingadores - A Queda" até "O Cerco" (antes da reformulação da "Nova Marvel")!!!

Confira abaixo esta espetacular pesquisa cronológica:

02/02/15

Review: "Cap. América", "Pantera Negra", "Mulher-Hulk", "Eternos", "Star Wars", "Batman", e Mais....

Novos "Reviews" com MAIS 10 gibis comentados. As avaliações seguem o sistema de NOTAS: "RUIM", "REGULAR", "BOM", "MUITO BOM", e "EXCELENTE" (equivalente à escala de 1 a 5 estrelas)!!!

Neste "Review" tem Dose QUÁDRUPLA de SALVAT: "Cap. América - Novo Pacto", "Mulher-Hulk", "Pantera Negra", "Eternos"... E ainda: "Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma", "Boba Fett - Laços de Sangue", "Batman '66", "Batman" (de Alan Davis), "Tex em Cores - O Diabólico Mefisto", e "Ultimate 4 Fantástico"!!!

Confira abaixo... (lembrando que as críticas expostas nesta coluna são apenas mera opinião pessoal):
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